sexta-feira, 8 de maio de 2015

Bubaque 2015

Aspecto do Barco Baria à caminho de Bubaque
“Sou jovem musico guineense que luta pela promoção da musica e cultura guineense e para construção de um mundo melhor, no qual se afirme os direitos humanos” Binhan Quimor

Binhan Quimor

Tirei esta frase no perfil do Blog www.jovembinham.blogspot.com do músico que é a sensação do momento na Guiné. Já agora peço ao irmão e amigo Binham que faça pequenas correcções no referido perfil, embora não esteja utilizando o Blog criado em 2011. 
 Binhan Quimor
Estando de viagem pelo interior, não pude assistir ao lançamento do primeiro álbum do cantor, Binhan Quimor.  “Lifanti Pupa” (Apupo do Elefante) é o seu primeiro disco que tem 11 faixas originais, com temas transversais que passam, da política à corrupção da pertença identitária ao orgulho de ser guineense.

Antiga residência do Administrador de Bubaque

Se em 1990 quando fui passar uns dias em Bubaque com o meu pai, o meu irmão mais velho e um tio que vive na Suécia, as músicas mais escutadas em todos os cantos da ilha era do Américo Gomes, desta vez o Binhan Quimor dominou o arquipélago. Era a música do Binhan por toda a parte e na rádio comunitária Djan-Djan. Aproveito a oportunidade para felicitar ao diretor da rádio Filipe, que para além da emissora faz funcionar um Centro Multimédia que possibilita os jovens de Bubaque terem acesso a Internet, um caso idêntico deixado em Mansoa em 2006.  
Dias depois do Festival
 Mas dizia eu, não consegui assistir aos concertos de lançamento do “Lifanti Pupa” em Bissau, no mês de março, e no mês de Abril  tive dose dupla dos concertos do Jovem Binhan. O primeiro em Bubaque, na VIª Edição do Festival de Bubaque e o segundo na Lenox em Bissau.


Festival esse, marcado por muitas controvérsias este ano, desde logo, a morte prematura do mano mais-velho Bidinte, que aqui rendo a minha singela homenagem e que Deus lhe dê o eterno descanso. Fui falar mantenha no choro do Bedinte, na mesma casa no Bairro D’ Ajuda onde o conheci, quando e ele e o irmão  Estêvão (Gibson) e os manos mais novos e toda a família chegaram de Bolama.

Prai da Escadinha

Mas, voltemos ao Festival de Bubaque 2015, que teve outros assuntos nos bastidores, por exemplo a estória da ausência do Justino Delgado entre os convidados. Ele que é “filho de Bubaque”  lembrei-me neste instante da conversa sobre o assunto com o meu amigo, irmão e camarada Nico, detentor dos direitos do Festival. Disse-lhe: imagine se nós que nascemos em Bissau, começássemos a exigir privilégios em tudo que é feito e organizado em Bissau. Seria o descalabro. 

Dulce Neves na homanagem ao Bidinte

Em Mansoa, também surgiram uns marmanjos que queriam vir com esta teoria de “fidjus di Mansoa” para tentarem empenar a dinâmica do trabalho que estávamos executando. A esses lembrei-lhes apenas que somos todos “Filhos da Guiné”.
Outro caso estranho em Bubaque foi a questão do jovem de Mindara que perdeu a vida, se afogando logo no primeiro dia do Festival e, cujo corpo segundo algumas informações foi encontrado enterrado na praia de Veludo, um dia depois do final do Festival.

Vista da janela do Barco Baria

Outro assunto em que a Secretária de Estado dos Transportes não saiu bem na fotografia foi, a falta de transportes para o regresso à Bissau, situação que me obrigou a voltar as lides do jornalismo, fazendo trabalhos voluntários para às rádios Sol Mansi e Bombolom FM. Constatou-se aberrações na segurança marítima, desde o número de passageiros sem colete salva-vidas serem superiores aos que traziam coletes e até o caso de uma canoa que para além de exceder o número de passageiros na lotação, ainda tiveram o desplante de transportar um touro preto com as pessoas.
Cartazes do IBAP
  
Mas também houve coisas boas nesta última edição do Festival de Bubabque. A Dulce encantou e carimbou o título de Diva da música guineense, o Sidónio abrilhantou uma noite de luar, confirmando que “garandi i garandi son”. E, o último dia teve a magnitude do fenómeno da actualidade Binhan Quimor e foi fechado com a chave d’ouro com uma excelente exibição do músico que reconhecidamente é o Embaixador da música moderna guineense, Manecas Costa.



O Festival também fez tónica a Biodiversidade, criando uma parceria extraordinária com o IBAP, que resultou na feira e exposição que se podem ver nas fotos e o Zé Manel embora diretor-executivo do Festival, deu ar da sua graça cantando a música de campanha contra os abates das árvores “dunu di matu, pólon di matu tenê kasabi…”          
Dança tradicional das bijagôs


O drone andou pelo Bubaque nos dias do Festival